Nikita

26 de mai de 2015

Nikita


Este vestido lhe cai bem, use-o
Já não precisa relutar em escolher
Estou aqui, olhe nos meus olhos
Sinta meu rosto, toque meus lábios

Está aqui novamente? Não há tempo
Há dor, mas não sei pegá-la agora
Está desesperada, teu mundo mudou
Eu construi e destruí, salvei e matei 

Nikita, está bem agora? Ainda choras?
Queria você na minha cama, aquecê-la
Temos coragem para afundar nossas almas? 
O caminho está estreito? Estúpidos, não? 

Não dê glória ao choro da criança nascida
Não viva pela esperança, água podre
Lute pelo quase morto, coração negro
Não quero camarote, quero terra
Não precisa ser branca, Nikita. Não precisa.

blue

3 de abr de 2015

blue


As estrelas brilhavam vivas, 
Dormiam perto do oceano,
Rodeavam a lua, aconchegavam, 
Engoliam a tristeza. 

Então uma onda bateu meus pés
Eu senti você...
A onda voltou para o oceano, deitou
E eu estava vazio, desesperado inerte

Andava sem deixar sinal na areia
Andava com a lua,
Suas lágrimas espalhadas no mar
Acolhidas ao pouco pelas estrelas.

Mais uma onda se ergueu no oceano
Não tocou meus pés,
Então sentei, deixei a brisa me tocar
Ficaria esperando a onda

Não chegarei no horizonte
Não sei se ele existe
Mas a lua no céu é real
Nada é fácil, oceanos secam em tristeza 

Então entremos, quero sua mão
Não esquecerei de convidá-la para o mergulho
Sem questões para o céu
Volte para casa, senhorita 
Chega de desvios, mentiras,
Apenas eu, você, o oceano
Estamos fora do mundo

Faíscas pelo Horizonte

24 de mar de 2015

Faíscas pelo Horizonte


Em pedaços, quebrado, sangrando
A chuva tocou nossa pele, calma
As lágrimas se encontraram no chão
O gramado queima, faísca
O suspiro some com vento
Minha alma paira sobre a neblina
Meu corpo cai em lacunas
Quem vai nos tirar?
Quem vai nos tirar?
Hora de afogar, arrumar os trilhos
Preparar as taças,
Esperar a neve,
Acolher o frio,
Tomarmos o vinho.
Não acredito, desapareço,
Devolva-me minha alma
Estou cansado de nadar,
E boiar não basta.
Acordei com desespero
Ouvi sua voz,
Tocava meus sentidos,
Mergulhava em meu Oceano,
Ficava comigo sobre o gramado.
A temporada começou,
Serei a caça, pegue,
Chateado com o resultado?
Aborrecido com o caminho?
Certo ou errado? Mentira ou dúvida
Deixe-me! Livre-se. Não diga
Afaste-se,  viajei para o horizonte
Alcancei a colina com o por do sol
Vi o brilho em seus olhos
Vejo o mesmo no horizonte,
Vejo o mesmo no luar,
Vejo o mesmo no Oceano,
No mar.
Jogue essa areia sobre...
Recomece,
Refresque, pegue uma sombra.
Sente a brisa bater em seu corpo,
O toque frio, sem dor, sem alegria,
Nada.
Sente o nada?
Sente o nada?
Então eu serei o nada,
Serei a brisa,
Viajarei com o horizonte,
Tocarei a lua,
Ficarei na areia,
Verei o mar,
Serei o Oceano.
Olhe o relógio. Não parou?

O Crepúsculo da VIda

12 de mar de 2015

O Crepúsculo da Vida  


   Durma... Durma... Não passa de árvores. Veja a sombra, as folhas balançando, o galho está batendo na janela. O dia já está para renascer, se prepare.
   Então acordei. Voltei pra lá, ali pertencia, quero ser livre. Não condenada. Olho no espelho e vejo sombra. Como o galho na janela. Meus cabelos do loiro mudavam para o cinza, acho que sumirão depois de um tempo. Mas para aquele dia, esse dia, eu realmente deveria ter me preparado. Mas como me preparar se hoje é ontem, e o amanhã é agora. Nos preparamos para o inevitável. E quando chegar, tentaremos evitá-lo. Mas nesse dia resolvi sair. Estava frio, o gramado liso, coberto por uma fina camada de neve. O orvalho estava lá, escorregando melancólico, escondendo-se no dia.
   Fui até o lago. Estava distante. O sol, ocupado, estava no fundo, nascendo. Então avistei no meio de um pequeno arbusto um gato. Vi que ele tinha seus olhos fixos em mim. Chamei-o. Ele pulou para fora do arbusto, seus pelos pretos brilhavam. Aquele gato não tinha mais vidas, ele vinha do oeste, estava liberto.
   Começou a chover. Minha pele queimava. Estava tudo parado, estático. Então o gato foi se aproximando. Pulou por cima de algumas pedras, até entrou na água em certa parte do caminho. E chegou perto de mim. A chuva não parou, estava do mesmo modo. O dia fugiu. Mas eu já não me queimava. O gato estava comigo. Não sei se estava feliz, não sei se eu estava feliz, mas ali eu sobreviveria. Sabia disso, já não estava afundando. Afundando. Já estava no centro do lago. Algum tempo se passou, e eu não pertencia aquele lugar. Será que você pode consertar o caminho? Ele me olhava fixamente. Sentia a angústia em seu olhar, não podia impedir que eu me afogasse. Eu teria que sair do lago sozinha. Então algo me puxou.
   E lá estava a dama que eu conheci em um banco eu um dia parecido com este. Ela estava sobre as algas, mas estava molhada. Ela estava molhada. Isso significava muito pra mim. Em minha existência, acho que posso chamar assim, as pessoas não se molhavam. Apenas apareciam secas. Antes de qualquer movimento, percebi que não estava respirando. Mas não me preocupei. Mergulhar aparentemente não faz mal, afundar entre as algas apenas me deixa aparte do mundo. Esta sensação não é tão ruim. Mas eu faço parte do mundo, não? Há mundo ainda para fazermos parte. Então ali poderia me esconder. Não sei se chegará um dia em que eu não vou conseguir sair novamente. Como disse, o amanhã já é agora. Mas tentarei, tentarei até não existir sentido. Tentarei moldar um sentido. Tentarei.
   Saí da água, continuava chovendo. O gato me esperava do outro lado. Fui até ele. Já não era o mesmo, envelhecera. E o dia nascia, como o mesmo.


Sussurros

11 de mar de 2015

Sussurros


Sussurros ecoam pela encruzilhada 
A batida penetra o coração 
Ferve os nervos a cada corrida 
Seu sorriso já não faz sentido 

O tempo parou há tempos 
Nós o escondemos, sem vidros no chão 
O sangue lento corre entre os cacos 
Feridas profundas, oceanos de angústia 

Coloque-me abaixo disso 
Tire-me dessa extorsão 
Mostre seu rosto pelo menos 
Meu último sussurro, você 

Não precisamos mais de maquiagem 
Voltamos, sem cicatrizes 
Sem premonições, sem agora 
Estamos vivendo...

Escamas

7 de mar de 2015

Escamas


Olhe para cima
Veja a lua brilhar
As estrelas tocarem sua pele
O céu te chamar

O mar tocar seus pés
O desconhecido estremecer
A onda surgir, sentir
E desaparecer

Lembro ainda de tua mão
Abrir o luar com um toque
Desconhecer a escuridão
Viajar para o horizonte

Ele está aqui por você
Vá, não olhe para trás
Esqueça seu passado
O relógio não volta

Diga-me, vou te ver novamente?
Pode contar comigo, pergunte
Não sabe onde ir, desconexo 
Eu sei, pra você, não pra mim

Ventania

6 de mar de 2015

Ventania


Pelos montes caminha vagarosa
Ilhas de tormento levam teu sorriso
Aprisiona-se entre as dores do mundo
Pega tuas cores para extermínio 

Certamente entre as montanhas o sol nascerá
Nossas vidas ainda podem acordar
O coração talvez surgirá
A esperança aparenta perpétua, para a vida 

Andastes no campo sozinha
Como o vento, foi e sumiu,
Passa para melhorar o dia, refresca, 
Depois se perde no mundo 

A ventania passou, levou as flores
O perfume sumiu das rosas,
O brilho do sol acaba, morre
As folhas continuam

Há razão para andar nos montes?
Ver o sol se por, e se por, e se por
A lua refletir no lago, 
A lágrima cair no gramado,
O cheiro verde do molhado invadir o olfato,
A lua segurar a dor, o dia despreocupado,
Há razão? Ou aceitaremos de bom grado? 


Estrada para a Redenção

5 de mar de 2015

Estrada para a Redenção



Diga-me, já não somos capazes

Suba aqui no céu, acompanhe
Vejas os demônios arrastarem suas correntes
Os anjos presos em seus altares

Então o animal finalmente saiu da toca
Este é o momento!
Nem futuro, eles disseram,
Nem sofrimento.

Poderia, nunca mais seria dito
Disseste o impossível
Livre do Ceifador, livre das folhas
Afogado pelo seu próprio nada

Andou sozinho pelo vale
Com todos, consigo
Anjos me ofereceram a chave
Demônios a prisão, a liberdade

É o momento!
Chegou o julgamento final,
Enfileirados, cães para o abate,
Dono cortejado. 

Já não enxergamos sofrimento,
Estamos dentro dele,
Acostumados, sustentados,
Aleluia! Aliviados. 

Siga por aquele caminho, filho
Não pise nos espinhos,
Apenas sinta o cheiro das rosas...
Corra até aquele arco-íris. 

Estou vendo o caminho,
Não leva a nenhum lugar...
As rosas do meu caminho caíram, murcharam
As folhas insistem em permanecer

Queime-as! 

Lágrimas do Céu

3 de mar de 2015

E as portas do céu se abriram
Meu chão estava muito pesado
As paredes estavam cheias de mentiras
A chuva já não caia sobre nossas cabeças

Desceu montada em seu próprio medo
A terra já não pertence aos anjos
Mas ela se atreve a pousar
Quebrar suas asas para viver entre humanos

A dor escorre de seus olhos
Não entendem seu ser, 
Pobre anjo, tem alma

Sua âncora está solta, livre
Mas o céu a chama
Chá não apaga 




Apenas Dois Goles

20 de fev de 2015

Apenas Dois Goles


Cicatrizes em um chão adormecido
As vinhas já não entorpecem o caminho
Gotas pela trilha bloqueiam os sentidos
A estrela no topo, apontando o destino

Pelas matas e rios andaste longe
Foi parar onde nenhum homem pisou
E para que? Ele viu? 
Apenas um verme comum 

Trouxe as amoras da colheita 
Não teve muito desta vez, 
Apenas uma dúzia, dois copos 
Mas esta está saborosa 

Eu deveria colher as minhas
Já estão apodrecendo, 
Mas surgem novamente, 
Não importa o meu solo.

Então manterei.
Assim como as vinhas que fazem meu dia
Passar para minha adega, e esperar
Esperar outro ser, outra noite, outro vinho

Deste cálice não tomarei mais
Ela aqui deslizou seus lábios
Mas quem é ela? Dramático 
Despiu-se, observou, não colocou novamente 

Meu senhor morreu, 
Cuidarei das vinhas, elas agora me pertencem 
Sim, tenho propriedade 
Não sou inútil 

Tomei mais um gole
Ela parava de chorar
Olhei nos seus olhos
Me via atrás deles

Mas era reflexo, eu não pertencia aquele lugar
Fugi, de mim mesmo, para longe
Um lugar onde eu não me encontraria
Mas ela me achou, me reencontrei

Soul Mirror

9 de fev de 2015

Sentado no canto, sem apreciar
Dois goles, talvez seja suficiente
Esperava pela minha sentença 
O bar já estava vazio há tempos

A porta abriu 
Um vento frio junto a neve entrou
E uma moça, 
Sentou, do outro lado, e apreciou 

Não era diferente de mim
Tomou os dois goles
E ficou sentada

Nunca conversamos
Sempre chegávamos juntos
Os dois goles
E íamos embora

Acho que não poderia conhecê-la 
Estávamos prontos
Iríamos quebrar

Revolução

25 de jan de 2015

O céu e a terra já estão no mesmo lugar 
Aqui, um lugar belo para passar
Um dia para sentarmos e... olhar 
Minha alma pede para que você fique 

Venha até mim, sente 
Olhando seus olhos, me desculpe
Já estamos distantes, 
Estou correndo para longe,
Tão longe que não sei onde chegar. 
Voltaremos um dia a conversar. 

Queria minha despedida, 
Mas não consigo, não quero terminar 

Acho q recomeçou, tudo antigo 
Tudo imutável, mas novo 


Velejar

14 de jan de 2015

   Corri até a beirada. Minhas pegadas ficaram naquela areia. Mas tudo que ali permanecia, em algum momento, se apagava. Talvez fosse o vento, a brisa que atravessava o oceano, ou talvez fosse outras pessoas que por ali passavam. Olhei lá longe, em uma pequena aglomeração rochosa. Não estava enxergando muito bem, minha vista estava um pouco embaçada. Mas sabia que ela estava lá.
   Não sabia como chegar, não conseguiria nadar. Avistei uma canoa alguns passos ao meu lado. Corri até ela. Desta vez o próprio oceano apagava minhas pegadas. Era velha, com alguns pedaços faltando em sua beirada. Mas era o suficiente. Não iria afundar. Não iria me consumir. Enquanto minha canoa, a canoa, nadava pelo mar, no meio daquele frio que estava, ia cortando as lágrimas que a lua estava deixando. Mas não estava piorando. Acho que ajudava.
   Quando cheguei nas rochas a avistei. Do outro lado da pequena ilha. Estava com um vestido verde, bem apagado. Muito parecido com o que eu estava usando. Seu cabelos inquietos com a brisa não descansavam. Cheguei ao seu lado. Não trocamos nenhuma palavra, como de costume. Sentamos e apreciamos o oceano.
   O mundo ficava diferente. Ou era o mesmo? Não sei. Mas com ela minha dor mudava. Trocava de roupa. Talvez seja porque compartilhamos dela. Talvez. "Luna". Ela me chamou. Luna? Luna é o meu nome? Luna era o meu nome para ela. Sempre pensei que minha existência era tão inexistente quanto minha sorte, mas estava errada. Podia não ter nome. Podia não ter nome para o mundo. Para o universo. Mas para ela eu tinha. Para ela eu existia. Finalmente descobri. Eu existo. Para ela, mas era o suficiente.
   "Vivemos para recordar?", ela me perguntava. Não tenho a resposta. Queria dizer não. Vivemos o presente, e apenas. Mas sabia que estava errada. Mas não vivemos para recordar. Acho que não vivemos para algo. Não sei se vivemos. Sobrevivemos. Isso. Até me soa familiar.
   Decidi voltar para casa, ficar no meu quarto. Mirei a canoa na praia e deixei ela tomar seu rumo. Quase o destino. Quando cheguei no meu quarto, na minha cama, acordei. Não que estivesse sonhando, ou dormindo, mas acordei. Tudo voltou. Mas algo estava diferente. Eu me chamava Luna.

Luna

13 de jan de 2015

Dê-me motivos para o sol nascer 
Quero vê-lo entre os pinheiros 
Sair do oceano, escapar 
Fugir, viajar, começar a viver 

A lua me domina 
Ela está entre os pinheiros 
Uma névoa em sua frente 
Ela também não se mostra 

Segura-me, minha querida Luna 
Estou na grama, molhado 
Minha Luna, porque choras? 
Eu estou aqui, também te seguro 

O vento congela a minha pele 
Mas não posso deixá-la no céu 
Sozinha, só com seu sentir 
Sozinha, sem poder fugir 

Minha Luna, sempre esteve aqui 
Minha Luna, talvez a manhã, 
Não irá surgir

Manhã

8 de jan de 2015

A morte está lá fora
Será que apenas eu vejo? 
Corpos no chão, almas dispersas 
O sorriso levado aos ventos 

Apenas um segundo 
O sol se pondo 
O horizonte no mesmo lugar 
Quando vou alcançá-lo? 

A maré desceu 
A lua subiu ao trono 
Lágrimas por todo o gramado 
Ninguém colheu 

Ela aparece a todo instante 
Viva... não posso tocá-la 
Nada passou 
Meu coração ainda não bateu 

Vidros no chão, quebrados 
Todo o sangue em pedaços 
O chão molhado com o tempo 
Tudo, então, espelhado