Beber

16 de jul de 2013

Obrigam-me a parar de Beber. 
Estou alucinado, quero continuar. 
Vivo para Beber.

Estou encharcado disso. 
Posso parar de Beber, 
Mas meu corpo não mudará. 

Estava feliz dentro da tristeza. 
Cortam-me a roupa e...
Não parei de Beber, 
Apenas morri. 

Morto estou mais triste.
Não descanso, 
Apenas caminho. 

Finalmente sei a que caminho chegar,
Um caminho feito de espinhos, 
Onde não gostaria de andar. 

Tome um gole...
Agora temos tempo... 
Não temos mas que Beber.  

Já estamos mortos. 

Há?

Há escuridão...
Tem escuridão.
Nunca pensei que, somente no escuro
Entenderia Lord Byron.

Não há fuga.
Não há dúvida.
Não tem escolha.
Existe apenas a flor,
Que apareceu quando as folhas morreram. 

Escrevo sobre o nada,
Pois é nele que pereço.
Não existe pensamento livre,
Quando não há opção.

Essa "opção" deve ser criada?
Se não tem saída,
Devemos construí-la?
Mesmo que não queremos?

No final sempre tem luz.
Mesmo que pareça impossível.
E a esperança tenha desaparecido,
Não fugirei de mim. 

Tempestade

Nos momentos de tempestade
As folhas voltam aos seus lugares.
Muito mais resistentes.

Festejar? Não.
Pois ainda é tempestade.
Quem dera a mesma levasse apenas matéria.

Mas como tempestade,
Tudo irá passar,
Nem por isso devemos esquecer.

Memórias boas devem ser recordadas.
Mas o futuro não deve ser deixado.
Por isso vivamos!

Como estar contigo estando comigo?
Exalo alegria pois estou cheio de tristeza.
Continuo...

Esconderei até a tempestade passar
Pois precisam disso.
...feliz.

Continente

Quem dera fosse névoa.
Ou até nuvem.
Mas são palavras.
São pensamentos.

Suspiro pelo futuro incerto.
E lembro-me dele.
Ficarei em mim todo o tempo.
Não posso abandoná-la.

Caminho nessa rua escura...
Pare com esse piano!
Quero continuar aqui no escuro,
Esperando...

Como será o mundo lá fora?
Não me lembro dele.
Tem luz?
Entre metafísica e entrelinhas,
Meu mundo se expande e aparece. 

Não queime a floresta!
Não sopre a nuvem.
Saia para o mundo,
Mesmo que ainda seja noite.

Para que deve haver métrica?
Meu mundo não quer ser racional.
Chega de perguntas.
Corpo anarquista, mente ditadora. 

Destinos

Ando em um destino incerto
Sabendo onde irei chegar.
Quem dera fosse nuvem,
E apenas ver passar.

Há dois mundos,
Idênticos e angustiantes.
Em escuridão um perece,
E o outro observa contrastante.

Contraste preto no escuro.
Haverá uma grande diferença.
No meio de um dos mundos
Um borrão branco o incrementa.

Quem dera tivesse heterônimo.
Fugiria de mim mesmo.
Mas não posso,
Vivo apenas comigo mesmo?

Futuro

Podia haver ocorrido o basta...
Estou estagnado em "nosso" mundo.

Como amar sem sofrer?
Hipocrisia? Pensava.
Mas apenas sei que amo,
E isso já me afasta.

Vou cortar-me,
A dor irá aumentar?

Nunca haverá um basta.
Como pensava,
Meu destino está traçado.
Por onde devo chegar?

O tempo me espera,
Estou correndo de mim, e não dele.

Temos que viver,
Mas tenho que ter motivos para isso.
Sou apenas humano,
Não quero receber por isso.

Será o amor uma passagem?
Devemos comemorar ou chorar?

Posso fugir para onde desejar,
O amor é perpétuo.
Deixarei se necessário,
Mas não viverei livre.

Perguntas

Será que está além do meu alcance?
É este um sonho,
Que ainda cultivo.

Me iludo?
Pensamentos e palavras não foram gastos.
Vivo?

Ajudo?
Corro ou permaneço?
Vou me esconder em verdades. 

Folhas

Seria mais feliz,
Se as folhas caíssem por último.
Mas elas não caem.
E a flor permanece aberta.

Junto com as folhas
Fui eu.
Olhando para trás,
Ainda me via com angústia.

Para trás não estou.
Estou a frente.
Mas de que adianta?

Rejeitarei o que há de mais valioso,
Por arrogância?
Ou por, de tão precioso,
É possível apenas tê-lo. 

Não ficarei,
Para seguir em frente.
E se seguir,
Não sairei.

Basta!

O ourives inveja esta cor.
Puras cores! 
Quem dera, o céu
Possuir estes claros tons.

Utópico... não.
Olhando deste farol
Vejo que "as luas"
São reais

Este som que escuto...
Mágica! (Quê?)
Quem me dera
Acompanhá-lo.